São Lourenço: Servir, Doar e Frutificar
Queridos irmãos e irmãs, filhos e filhas do Pai das Misericórdias! Na presença de Frei Bernardo, do Diácono Nelsinho Corrêa — nosso mestre do noviciado — e de toda a nossa comunidade, reunimo-nos para celebrar com júbilo a festa de São Lourenço, diácono e mártir.
São Lourenço serviu com total fidelidade à Igreja de Roma, a Igreja Mãe. Ele viveu durante o pontificado do Papa Sisto II, em uma época de intensa perseguição decretada pelo imperador romano, quando muitos cristãos deram o testemunho supremo de fé e entregaram a própria vida por Nosso Senhor Jesus Cristo.
O Ministério Diaconal: Do Serviço das Mesas ao Martírio
A palavra diaconia significa fundamentalmente serviço, atendimento e cuidado pastoral. No capítulo 6 dos Atos dos Apóstolos, acompanhamos a eleição dos primeiros sete diáconos da Igreja nascente. Entre eles destaca-se Santo Estêvão, homem cheio do Espírito Santo, escolhido para servir às mesas e prestar assistência às viúvas de origem grega que estavam sendo desassistidas.
A vocação ao serviço não é exclusiva do diácono ordenado, mas de todo cristão batizado. Contudo, Santo Estêvão recebeu essa missão de forma especial e, no capítulo 7 dos Atos dos Apóstolos, surge pregando o Evangelho com ardente amor a Jesus Cristo.
Essa pregação profética incomodou os perseguidores e o conduziu ao martírio. Em seus últimos instantes, Santo Estêvão refez os próprios passos do Salvador: entregou seu espírito ao Pai (“Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”) e perdoou os seus algozes, cumprindo o mistério ensinado por Cristo:
“Se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só; mas se morre, produz muito fruto.” (cf. Jo 12, 24)
São Lourenço e os Tesouros da Igreja
Nosso Senhor foi o primeiro a doar a Sua vida por nós. Seguindo Seu exemplo, os Apóstolos, Santo Estêvão e São Lourenço trilharam o mesmo caminho. A missão de São Lourenço era dedicada ao serviço dos pobres e necessitados.
No ano de 258 d.C., durante a perseguição do imperador Valeriano, o Papa Sisto II foi martirizado no dia 8 de agosto. Apenas dois dias depois, em 10 de agosto, São Lourenço foi intimado pelas autoridades romanas a entregar as supostas riquezas materiais da Igreja.
Com profunda sabedoria evangélica, São Lourenço reuniu os pobres, os doentes e os pequeninos e os apresentou ao imperador, declarando: esta é a verdadeira riqueza da Igreja. É nos necessitados que encontramos a face de Cristo, pois eles revelam a humildade, a pobreza e o despojamento do Senhor.
O Grão de Trigo e a Necessidade de Morrer para Gerar Vida
Neste dia de São Lourenço, somos chamados à conversão sincera do coração. Todos nós temos carências e limitações; contudo, ao olharmos para o próximo com compaixão, enxergamos o próprio Cristo que necessita do nosso cuidado, da nossa atenção e da mensagem do Evangelho.
Diante da Palavra de Deus, resta-nos fazer uma reflexão pessoal: qual é a morte que precisamos viver hoje?
Para que a vida divina frutifique em nós, é necessário morrer para:
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As nossas próprias vontades e egoísmos;
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O comodismo e a acomodação espiritual;
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A impaciência nos relacionamentos;
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O apego desordenado aos bens materiais.
A lógica do Reino de Deus difere radicalmente da lógica do mundo. No mundo, poupa-se para acumular; no Evangelho, doamos para ter vida em abundância. O médico, o diácono, o sacerdote e o leigo encontram a verdadeira alegria não quando poupam a si mesmos, mas quando doam suas vidas a serviço dos irmãos.




