Mantenha os Olhos em Jesus
Confira a pregação do Padre Sandro Magalhães, sacerdote da Comunidade Canção Nova, realizada no Santuário do Pai das Misericórdias. Uma profunda reflexão sobre a fé, o poder da oração e a importância de manter a confiança em Deus nos momentos de tempestade.
Retrospectiva dos Ensinamentos e Milagres de Jesus
Para compreendermos a profundidade do Evangelho de hoje, é fundamental recordar o caminho que percorremos nos últimos domingos. Jesus vinha ensinando os mistérios do Reino de Deus por meio de parábolas marcantes, tais como:
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A Parábola do Semeador: Onde a semente cai em diferentes solos;
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A Parábola do Joio e do Trigo: A coexistência do bem e do mal até a colheita;
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A Parábola da Rede Lançada ao Mar: Que recolhe peixes de todos os tipos para depois separar os bons dos ruins.
A Multiplicação dos Pães e dos Peixes
No domingo anterior, contudo, a Palavra não nos trouxe uma parábola, mas um milagre concreto: a multiplicação dos pães e dos peixes. Ao final do dia, vendo a multidão faminta em lugar deserto, os discípulos sugeriram despedir o povo. A resposta de Jesus foi direta e desafiadora: “Dai-lhes vós mesmos de comer”.
Mesmo contando com apenas cinco pães e dois peixes, Jesus abençoou os alimentos e realizou o prodígio. Todos comeram, ficaram satisfeitos e ainda recolheram doze cestos cheios com as sobras, manifestando a superabundância da providência divina.
O Exemplo de Oração de Jesus e a Intimidade com Deus
Logo após o milagre da multiplicação, Jesus ordena que os discípulos entrem na barca e sigam à sua frente para a outra margem, enquanto Ele despede a multidão. Em seguida, o Senhor retira-se para o monte, sozinho, com o objetivo de orar.
Reflexão importante: Jesus era e é Deus, mas sentia a necessidade de orar a sós com o Pai. Se o próprio Cristo buscava momentos a sós com Deus, quanto mais nós precisamos da oração diária e da vida sacramental!
Jesus não desprezava as práticas espirituais e os costumes do templo; pelo contrário, cumpria tudo para nos dar o exemplo de que precisamos ter uma vida interior fundamentada na oração e na presença de Deus.
Jesus Caminha sobre as Águas: Revelação do Poder Divino
Na quarta vigília da noite (por volta das 3 horas da manhã), os discípulos enfrentavam ventos fortes no meio do mar. De repente, avistaram alguém caminhando sobre as águas e entraram em desespero, pensando tratar-se de um fantasma ou monstro marinho.
Ao perceber o pavor dos discípulos, Jesus se aproxima e declara: “Coragem! Sou eu, não tenhais medo.”
Esta expressão — “Sou eu” — vai muito além de um simples aviso. É a própria manifestação da divindade, o mesmo “Eu Sou” (Yahweh) dito a Moisés no Antigo Testamento. Naquele instante, os discípulos compreenderam que Jesus não era apenas um mestre que pregava belas parábolas, mas o próprio Filho de Deus com poder e autoridade sobre a natureza.
A Experiência de Pedro: Por que Começamos a Afundar?
Movido pelo entusiasmo, Pedro faz um pedido: “Senhor, se és tu, manda-me ir ao teu encontro caminhando sobre as águas”. Jesus responde com apenas uma palavra: “Vem!”.
Pedro desce da barca e começa a andar sobre as águas em direção a Cristo. Contudo, o texto bíblico nos alerta para o versículo 30: ao sentir a força do vento, Pedro teve medo e começou a afundar.
O Vento das Dificuldades e o Clamor pela Salvação
Por que Pedro afundou se o Mestre estava logo à sua frente?
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O vento são os problemas: Na nossa vida, o vento representa os desafios no casamento, as preocupações financeiras, as crises na família ou no trabalho.
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A desatenção da fé: Pedro afundou no momento exato em que tirou os olhos de Jesus para focar no vento e no problema.
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O socorro imediato: Ao perceber que afundava, Pedro clamou: “Senhor, salva-me!”. Imediatamente, Jesus estendeu a mão, segurou-o e o colocou de pé.
Quando Jesus e Pedro entraram na barca, o vento cessou e todos os discípulos se prostraram em adoração dizendo: “Verdadeiramente tu és o Filho de Deus!”.
Mesmo quando não temos onde nos segurar humana ou fisicamente, Jesus é Aquele que nos segura pela mão e não nos deixa perecer.
Uma Mensagem Especial aos Pais: A Paternidade no Lar
Encerrando a reflexão, Padre Sandro dedica uma palavra de bênção e carinho a todos os pais. O próprio Deus quis ter um pai terrestre na pessoa de São José. Jesus não o tratava com distância, mas o chamava afetuosamente de pai. Foi também Jesus quem nos ensinou a oração do Pai Nosso, revelando a proximidade paterna de Deus para com cada um de nós.
O Valor do Afeto e da Presença Paterna
Muitas vezes, o homem chega em casa exausto após um dia árduo de trabalho, buscando aquele momento de silêncio para recompor as energias. No entanto, o maior presente que um pai pode dar a um filho não são bens materiais ou brinquedos, mas a sua presença, atenção e afeto.
Assim como o menino Jesus corria para abraçar São José quando este voltava do trabalho na carpintaria, que os nossos lares sejam santuários de amor, onde o abraço sincero prevaleça sobre qualquer correria do dia a dia.
Que esta Palavra encontre morada em seu coração. Lembre-se sempre: mesmo diante das tempestades e ciclones da vida, mantenha os olhos fixos em Jesus. Ele caminha conosco, estende a Sua mão nos momentos de fraqueza e nos coloca de pé. Que Deus abençoe abundantemente todos os pais e famílias! Amém.




