O Cuidado do Bom Pastor com a Ovelha Perdida
Meus queridos irmãos e irmãs, no Evangelho de ontem, Jesus dizia aos seus discípulos a respeito das 99 ovelhas e daquela que se perdeu. Se você teve a oportunidade de participar da Santa Eucaristia e prestou atenção, Jesus trouxe essa imagem do pastor que é capaz de deixar as 99 para ir atrás da única ovelha perdida.
O Evangelho de hoje é uma continuação dessa mensagem. O pastor não despreza aquela ovelha pelo fato de ela ter se desviado ou simplesmente por ser apenas uma. Muito pelo contrário, ele entende que todas as ovelhas são igualmente importantes.
A Correção Fraterna como Gesto de Amor
Hoje, Jesus fala novamente aos seus discípulos e a Sua intenção é justamente fazer com que eles compreendam e tenham este mesmo zelo que o pastor tem. Jesus quer nos ensinar a ter esse cuidado para com todas as pessoas, principalmente com aquelas que se perdem, que erram e que se desviam.
E uma maneira muito concreta de colocar isso em prática é justamente aquilo que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: a correção fraterna.
Corrigir o irmão que se desviou, que está no erro ou tomou um caminho errado é a forma concreta de ir atrás daquela ovelhinha que se perdeu. Diante do erro dos nossos irmãos, nós não podemos viver um conformismo, fingir que não estamos vendo ou fazer “vista grossa”. Tem gente que vê o irmão errando, finge que não está vendo porque não quer se comprometer e diz: “Não, isso não é comigo. Deixe que o outro corrija”.
O Pecado da Omissão e a Insensibilidade
Nós não podemos nos tornar insensíveis diante do nosso irmão que está se perdendo e não fazer nada. Ver o irmão se desviar e não se comover ao ponto de ter a coragem de procurá-lo acaba sendo um pecado tão grave quanto o próprio erro daquele irmão. Isso se chama omissão.
A omissão também é um pecado. Dizer “não quero me incomodar com isso, deixa para lá” revela uma incapacidade de sofrer com o outro. É insensibilidade. O Senhor hoje nos diz que nós não podemos ser assim.
Como Corrigir Segundo a Lógica do Evangelho
A correção fraterna precisa ser vista dentro dessa lógica da ovelha perdida. Assim como o pastor faz de tudo para resgatá-la, nós também devemos ir atrás dos nossos irmãos.
Contudo, corrigir não é simplesmente apontar o erro. O intuito não é acusar, humilhar ou punir. Tem gente que, no pretexto de corrigir, apenas acusa e humilha. O objetivo cristão da correção é salvar, ganhar novamente aquele irmão e reintroduzi-lo no rebanho.
Por isso, Jesus é bem pedagógico e estabelece uma ordem de como devemos agir:
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Primeiro, vá até aquele irmão a sós com ele e corrija-o. Se ele te ouvir, você o ganhou.
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Se mesmo assim ele não te ouvir, chame duas ou mais testemunhas.
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E se ainda não der atenção, apresente-o à Igreja.
Evitar a Exposição e a Fofoca
Isso mostra que Jesus rejeita toda e qualquer exposição desnecessária. A lógica do Evangelho não é expor o erro dos nossos irmãos. Pelo contrário: quanto mais grave for o problema, maior deve ser o cuidado em preservar a dignidade daquela pessoa.
Isso é muito diferente da lógica do mundo e da fofoca. Qual é a lógica da fofoca? Primeiro eu descubro o erro do irmão, vou e conto para os outros, exponho a situação (às vezes até crio minhas versões e aumento o problema) e, só depois que o assunto já está todo exposto, eu falo com o irmão. Ao invés de ganhá-lo, isso o leva ainda mais à perdição.
O Senhor nos diz: “Vá primeiro ao seu irmão”. Isso é uma atitude de caridade e amor para com o próximo.
As Duas Graças da Eucaristia
Hoje, o Senhor quer nos ensinar e nos dar duas graças:
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A primeira graça: Ter um coração que saiba se compadecer diante do erro do outro. Abandonar a insensibilidade e entender: “É meu irmão que está se perdendo, eu preciso fazer algo para ajudá-lo”.
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A segunda graça: Saber como fazer isso com amor e também ter a humildade de receber correções. O caminho é de mão dupla. Uma hora é o nosso irmão que necessita de ajuda; em outro momento, seremos nós que estaremos no erro precisando ser corrigidos. Precisamos ter a humildade de acolher quando alguém aponta e diz que precisamos mudar.
Tudo isso tem o intuito de nos salvar e de ganhar o irmão para Cristo. Que nós possamos pedir a graça de entrar na dinâmica do Evangelho — não a lógica da exposição, mas a lógica da discrição. Que, mesmo sendo desagradável corrigir ou receber correções, possamos fazer o que é necessário com o desejo profundo de salvar.
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!




